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Início · Como se sente? · Saudade de casa

Quero voltar para casa, para os braços da minha mãe.

«O que é que eu estou aqui a fazer?» «Se calhar devia voltar.» Há dias em que a saudade aperta tanto que tudo o que se quer é casa. Não quer dizer que falhou. Quer dizer que perdeu muito ao mesmo tempo. Isto é para esta noite.

  1. Agora

    1Deixar a saudade existir.

    Não precisa de a afastar nem de se convencer de que está tudo bem. Respire mais devagar, a soltar o ar com calma. Se ajudar, ponha uma música de casa, faça um chá, um café, alguma coisa com o cheiro de lá.

  2. Esta noite

    2Ouvir uma voz de casa.

    Se puder, ligue a alguém de lá, mesmo que seja só para saber como foi o dia. Com a diferença horária, uma mensagem de voz também serve. Se a relação com a família é difícil, ligue a quem lhe faz bem, aqui ou lá.

    • Não precisa de explicar porque liga. «Estava com saudades» chega.
  3. Esta noite

    3Escrever o que mais falta.

    Três linhas: o que mais lhe falta hoje. Uma pessoa, um sítio, uma forma de ser tratada ou tratado. Não fica guardado nem é enviado. É só para tirar da cabeça.

    Não é guardado nem enviado: quando fechar a página, desaparece.

  4. Amanhã

    4Não decidir voltar, ou ficar, de madrugada.

    Decisões grandes merecem um dia com luz e alguém com quem pensar. Amanhã, talvez possa fazer uma coisa pequena que a/o ligue a este lugar: sair dez minutos, falar com alguém, comer bem.

    • Se a saudade vier com dias seguidos sem conseguir dormir, comer ou sair de casa, é altura de falar com alguém.
    • Se em algum momento pensar em fazer-se mal, ligue 1411 ou SNS 24, 808 24 24 24, opção 4, a qualquer hora.
Pâmela Friedericks

Pode falar comigo

Não precisa de chegar com tudo organizado.

Sou a Pâmela Friedericks, terapeuta de orientação psicanalítica. A primeira consulta é uma conversa, online, de 50 minutos: para perceber o que está a viver e se a terapia faz sentido para si. Sem compromisso de continuar.

Não faço diagnósticos nem receito medicação. Se for preciso, digo-lhe a quem recorrer.

Avaliação de lançamento: 15 € até 30 de novembro (depois, 25 €).

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Se ainda não é altura de falar

E tudo bem. Pode começar sozinha ou sozinho, ao seu ritmo. Uma árvore do Florescer são quatro semanas de momentos curtos, grátis, e o que escreve fica no seu aparelho.

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Porque é que a saudade pesa tanto

Emigrar é também perder. A família por perto. Os amigos de sempre. A língua de todos os dias. Uma versão de si.

Esse luto raramente tem nome. Por isso fica guardado, até rebentar num dia qualquer: um aniversário, uma festa, uma notícia de lá, um domingo sozinha ou sozinho.

Dar-lhe espaço não é ser ingrata ou ingrato com a vida nova. Mais em mudar de país é atravessar mais do que um oceano.

Falar com quem também veio

Há coisas que só se dizem bem na língua em que foram vividas.

A Pâmela também veio do Brasil e sabe o que é recomeçar. Atende online, em português, quem vive em Portugal e quem está longe de casa.

Para ler com calma, o guia emocional do imigrante mostra o que costuma aparecer no primeiro ano e o que ajuda em cada fase.

Como a psicanálise olha para isto

Em «Luto e melancolia», de 1917, Freud lembra que não se faz luto só por pessoas: faz-se também pela perda de um país, de uma liberdade, de um ideal. E esse luto é lento, feito lembrança a lembrança. Winnicott, em «A capacidade de estar só» (1958), mostra que só conseguimos estar sós sem desamparo porque, um dia, estivemos sós na presença de alguém. Longe de casa, essa presença falta, e a saudade pode acordar faltas muito antigas.

Perguntas que talvez valha a pena fazer-se

  • De quem sente mais falta?
  • O que deixou para trás que ninguém vê?
  • O que esperava encontrar aqui?
  • O que já construiu desde que chegou?
  • Quem sabe como tem sido para si?

Sentir saudade não é falhar. É sinal de que houve, e há, quem importa.

Continuar a ler

Sobre imigração e saudade

Todas as leituras sobre imigração e saudade →

E, quando quiser:

Perguntas frequentes

É normal querer voltar para o Brasil?

É muito comum, sobretudo no primeiro ano e nas datas especiais. Querer voltar num dia difícil não quer dizer que deva voltar; quer dizer que a saudade precisa de espaço. Se a vontade se mantém durante meses, merece ser pensada com calma, com alguém.

Sinto culpa por ter deixado a minha mãe. O que faço?

A culpa de quem parte é das coisas mais pesadas da emigração, e raramente se diz em voz alta. Falar dela, sem a julgar, ajuda a separar o que é amor do que é obrigação.

Atende quem está no Brasil?

Sim, as sessões são online. Para quem vive no Brasil há valores em reais.

Tenho de estar muito mal para procurar terapia?

Não. Muitas pessoas procuram para atravessar a adaptação com mais apoio, antes de o peso se acumular.

Pâmela Friedericks
Pâmela FriedericksTerapeuta de orientação psicanalítica · Curso de Psicanálise Clínica, Instituto Holístico Portugal

Também vim do Brasil e sei o que é recomeçar. Atendo online, em português, quem vive em Portugal e quem está longe de casa.

Conhecer o meu percurso →

Fontes: OMS, «Mental health: strengthening our response»; Freud (1917), «Luto e melancolia», Standard Edition 14:237–258; Winnicott (1958), «A capacidade de estar só», Int. J. Psycho-Anal. 39:416–420; Governo de Portugal, «Nova linha de prevenção do suicídio entra em funcionamento» (10/09/2025); SOS Voz Amiga: contactos e horário; SNS 24: 808 24 24 24, opção 4 (aconselhamento psicológico, 24 horas). Atualizado em 17 de outubro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui acompanhamento profissional.

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