Nem sempre é fácil perceber quando aquilo que estamos sentindo deixou de ser apenas uma fase difícil e passou a ser algo que merece ser cuidado.
Às vezes, a pessoa continua trabalhando, cuidando da casa, dos filhos, dos estudos e de todas as responsabilidades. Por fora, parece estar tudo funcionando. Por dentro, porém, existe um cansaço que não passa, uma ansiedade constante, uma tristeza difícil de explicar ou a sensação de estar simplesmente tentando sobreviver aos próprios dias.
E então surge a dúvida:
“Será que eu realmente preciso de terapia?”
A verdade é que você não precisa estar no limite para procurar ajuda.
A terapia também pode ser um espaço para compreender melhor aquilo que está acontecendo antes que o sofrimento se torne ainda maior.
Você não precisa estar no limite para procurar terapia
Existe uma ideia de que terapia é apenas para quem está passando por uma crise, recebeu um diagnóstico ou já não consegue continuar com a rotina.
Não é assim.
Muitas pessoas procuram terapia porque percebem que alguma coisa mudou. Talvez estejam mais irritadas, cansadas, ansiosas ou desanimadas. Talvez estejam repetindo situações que não conseguem compreender. Outras sentem que perderam o prazer pelas coisas que antes faziam sentido.
Às vezes, não existe sequer uma explicação clara.
Existe apenas a sensação de:
“Eu não estou bem, mas não sei exatamente o que está acontecendo comigo.”
Isso também pode ser um motivo para procurar um espaço de escuta.
Como saber se está na hora de procurar ajuda?
Não existe uma lista que determine, sozinha, se alguém “precisa” ou “não precisa” de terapia.
Mas alguns sinais podem indicar que seria importante conversar com um profissional.
Por exemplo:
- sentir ansiedade ou preocupação com frequência;
- perceber uma tristeza ou desânimo que persistem;
- estar emocionalmente esgotada mesmo depois de descansar;
- ter dificuldade para dormir ou descansar;
- sentir que está constantemente no limite;
- perder o interesse por coisas que antes proporcionavam prazer;
- perceber mudanças importantes no humor;
- ter dificuldade para lidar com situações que antes conseguia enfrentar;
- viver conflitos recorrentes nos relacionamentos;
- sentir culpa, inadequado ou cobrança excessiva;
- passar por uma separação, perda, mudança ou outro acontecimento difícil;
- perceber que determinados acontecimentos do passado continuam afetando o presente;
- sentir que está repetindo padrões que gostaria de compreender ou modificar.
Um único desses sinais não significa necessariamente que exista um transtorno ou que você precise de tratamento.
O mais importante é observar a intensidade, a duração e o impacto que esse sofrimento está tendo na sua vida.
E quando aparentemente está tudo bem?
Essa talvez seja uma das situações mais difíceis de reconhecer.
Você trabalha. Cumpre seus compromissos. Cuida das pessoas. Resolve problemas. Continua seguindo em frente.
Mas existe uma diferença entre estar funcionando e estar bem.
Algumas pessoas passam muito tempo aprendendo a esconder o próprio sofrimento, inclusive de si mesmas.
Acostumam-se a dizer:
“É só uma fase.”
“Eu estou cansada.”
“Depois melhora.”
“Tem gente com problemas muito maiores.”
“Eu deveria conseguir lidar com isso.”
Só que comparar o próprio sofrimento com o sofrimento de outras pessoas não faz com que aquilo que você sente deixe de existir.
Você não precisa justificar a sua dor para merecer cuidado.
Preciso ter um diagnóstico para fazer terapia?
Não.
A terapia não precisa começar com um diagnóstico.
Muitas pessoas chegam sem saber exatamente o que estão sentindo ou sem conseguir organizar em palavras aquilo que as trouxe até ali.
A primeira etapa pode ser justamente compreender essa experiência.
O que está acontecendo?
Quando começou?
Como isso tem afetado sua vida?
O que mudou?
Existe algo que se repete?
Como você tem lidado com tudo isso?
Essas perguntas podem ajudar a construir, ao longo do processo, uma compreensão mais profunda daquilo que está sendo vivido.
Como funciona uma primeira sessão de terapia?
É muito comum sentir ansiedade antes da primeira sessão.
Algumas pessoas ficam pensando:
“O que eu vou falar?”
“E se eu ficar em silêncio?”
“E se eu não conseguir explicar o que estou sentindo?”
Você não precisa chegar com tudo organizado.
A primeira sessão é, antes de tudo, uma oportunidade de conhecer o espaço terapêutico, falar sobre o que está acontecendo e começar a compreender aquilo que levou você a procurar ajuda.
Não existe uma maneira perfeita de falar.
Você pode começar simplesmente dizendo:
“Eu não sei muito bem por onde começar, mas sinto que não estou bem.”
E isso já é um começo.
O que acontece depois da primeira sessão?
A terapia não é uma conversa isolada em que alguém entrega uma resposta pronta para o seu problema.
É um processo.
Ao longo das sessões, aquilo que você vive pode começar a ser observado com mais cuidado: sentimentos, pensamentos, relações, acontecimentos, conflitos, repetições e formas de lidar com aquilo que provoca sofrimento.
O ritmo desse processo é diferente para cada pessoa.
Não existe uma quantidade universal de sessões que funcione para todos.
O importante é que exista um espaço em que você possa falar, pensar e se escutar de uma maneira diferente daquela que talvez consiga fazer sozinho.
Terapia é receber conselhos?
Não necessariamente.
Muitas vezes, quando estamos sofrendo, queremos que alguém simplesmente nos diga o que fazer.
“Devo terminar?”
“Devo perdoar?”
“Devo mudar de emprego?”
“Estou fazendo tudo errado?”
Mas o trabalho terapêutico não consiste simplesmente em tomar decisões pela pessoa.
A terapia pode ajudar a compreender melhor aquilo que está por trás dessas perguntas.
Porque, muitas vezes, quando conseguimos compreender melhor o que sentimos e o que estamos vivendo, algumas respostas começam a aparecer de outra maneira.
E se eu não souber o que falar?
Você não precisa saber.
Talvez você fale muito em uma sessão e pouco na outra.
Talvez chore.
Talvez fique em silêncio.
Talvez comece falando sobre uma coisa e perceba, durante a conversa, que existe outra questão por trás dela.
Tudo isso pode fazer parte do processo.
A terapia não precisa ser um lugar onde você apresenta uma versão organizada de si mesma.
Pode ser justamente o espaço onde você não precisa ter todas as respostas.
Quando procurar ajuda com urgência?
Existem situações em que não é indicado esperar para procurar ajuda.
Se você estiver passando por uma crise intensa, tiver pensamentos de se machucar ou de não querer mais viver, ou sentir que não consegue garantir a própria segurança, procure imediatamente um serviço de urgência ou emergência da sua região e, se necessário, peça ajuda a alguém de confiança para permanecer com você.
A terapia pode fazer parte de um cuidado mais amplo, mas situações de risco imediato precisam de atendimento adequado e urgente.
Talvez você não precise ter certeza
Talvez você ainda esteja se perguntando:
“Será que o que eu sinto é motivo suficiente para procurar terapia?”
Talvez você não tenha uma resposta.
E tudo bem.
Você não precisa chegar à terapia sabendo exatamente o que tem, nem ter uma explicação perfeita para aquilo que está sentindo.
Às vezes, o primeiro passo não é ter certeza.
É encontrar um espaço onde você possa falar sobre o que está acontecendo e começar a olhar para isso com mais cuidado.
Entre aquilo que você sente e aquilo que você é, existe uma história.
E talvez seja justamente essa história que precise, pela primeira vez, de um espaço para ser escutada.
Como funciona a terapia online na terapia.com.pt
Na terapia.com.pt, o atendimento é realizado de forma online, em um espaço de escuta e acolhimento, com sessões realizadas por videochamada. O sigilo é absoluto e os horários podem ser flexíveis.
Se você sente que gostaria de compreender melhor o que está acontecendo, pode conhecer o trabalho e as informações sobre as sessões antes de decidir se este é o momento de começar.
Você não precisa ter todas as respostas para dar o primeiro passo.
Vamos conversar?
Pâmela Friedericks
Terapeuta em Psicanálise
Telefone: 928 441 120
terapia.com.pt

