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Cajueiro · semana 4 de 4
A castanha
No cajueiro, o fruto verdadeiro é a castanha: pendurada por fora do caju, dura, discreta, e é ela que guarda a semente. Como a psicanálise olha para isto: Winnicott não propõe que se arranque o falso self. No texto de 1960 mostra que ele pode ter uma função de defesa, a de proteger o verdadeiro, que fica escondido até encontrar condições para aparecer. E Lacan, em «Subversão do sujeito e dialética do desejo» (1960), lembra que o desejo se forma na relação com os outros; por isso há desejos que parecem nossos e não são. Esta semana pergunta, sem pressa: o que é seu? E onde pode mostrá-lo um pouco mais?
As cartas da Pâmela
Receba uma carta a cada etapa.
Ao longo das semanas, a Pâmela escreve-lhe com reflexões sobre o que cada etapa costuma trazer. A primeira carta chega já. Só enquanto o cajueiro cresce.
Ao pedir as cartas, autoriza o envio para este e-mail e pode parar quando quiser. O que escreve no site nunca é enviado.
Separar o que quer do que esperam de si, e escolher um sítio seguro para mostrar um pouco mais de quem é. Faça um momento de cada vez, quando puder. Não há ordem certa nem dias marcados; o que escolher fica guardado aqui.
1Dia 1 · 3 minutos
O que quero e o que esperam
Há desejos que trazemos há tanto tempo que já não sabemos de quem eram.
2Dia 2 · 3 minutos
A proteção
A parte que cumpre teve um trabalho importante. Vale a pena reconhecê-lo antes de a afrouxar.
3Dia 4 · 3 minutos
Onde é seguro
O verdadeiro self não aparece em todo o lado, nem tem de aparecer. Precisa de sítios seguros.
4Dia 5 · 3 minutos
O caju também é bom
O caju não é o fruto verdadeiro, e mesmo assim faz-se dele sumo e doce, e reparte-se. A parte que funciona também tem coisas boas.
5Dia 7 · 3 minutos
Um passo para fora
Para fechar, um passo pequeno. Escolha um que caiba nesta semana.
Para fechar a semana
A castanha que é sua
Nestas quatro semanas olhou para o que mostra, para quando aprendeu a agradar, para os gestos em que se sente real e para o que é seu. O caju e a castanha crescem juntos; não é preciso escolher um.
O que foi escolhendo
O que é que é meu, mesmo quando ninguém está a ver?
Reflexão de fé (opcional)
Se tem fé, talvez lhe faça bem lembrar que o que está escondido não está esquecido. Há um olhar que conhece a castanha antes do caju.
Pode concluir quando quiser, mesmo sem todos os momentos.
O retrato da sua semana
Só no seu ecrã. Não é um teste nem um resultado: é o desenho desta semana, como a viveu.
Quando quiser falar com alguém
Há coisas que se pensam melhor a dois.
Se o que vai aparecendo pede uma conversa, a primeira consulta com a Pâmela é online e tem 50 minutos, sem compromisso de continuar.

Também vim do Brasil e sei o que é recomeçar. Atendo online, em português, quem vive em Portugal e quem está longe de casa.